O Spotify não é mais o mesmo: como reencontrar a identidade após a maternidade?

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Reencontrar a identidade após a maternidade tem sido uma das minhas maiores buscas neste primeiro ano como mãe. E, curiosamente, reforcei isso quando vi a retrospectiva do meu Spotify. 

Em outros anos, minhas estatísticas eram cheias, vivas, com horas e horas de músicas que marcavam meus dias. 

Desta vez, vieram silenciosas… quase tímidas. Foi como se eu estivesse olhando para uma versão minha que eu mesma não reconheci de imediato.

E não, esse texto não é realmente sobre o Spotify e a música, mas foi a música que me apontou tudo o que mudou dentro de mim.

Quando percebi que minha retrospectiva tinha mudado

Ao abrir meu Spotify e ver a retrospectiva, fiquei reflexiva. Eu tinha ouvido muito menos música do que o normal. 

Aquele gráfico que antes parecia uma montanha colorida virou uma linha reta e curta. E, naquele instante, entendi: não era só o Spotify que tinha mudado… era eu.

Eu amava ouvir música no banho. Era o meu mini spa, meu ritual de relaxamento. Mas desde que minha filha nasceu, passei a tomar banho com medo dela acordar. Banho virou tarefa, cronômetro, agilidade, não mais prazer.

Eu adorava ouvir música enquanto preparava o café da manhã ou o almoço, mas hoje temos uma babá em casa. E, apesar de eu reconhecer profundamente o privilégio disso (um privilégio que me ajuda e me salva), a sensação de liberdade dentro da minha própria casa mudou. O silêncio virou mais comum. E a música, que sempre foi parte do meu jeito de existir, ficou esquecida em algum canto.

É engraçado, porque meu estilo musical não mudou… ainda. Talvez porque eu tenha resistido. 

Talvez porque eu não queira que minhas playlists sejam dominadas por músicas infantis o que, claro, acontece com muitas mães.  

E tudo bem quando acontece!

A trilha sonora da maternidade, para muitas mulheres, passa a ser composta por cantigas, desenhos e versões fofas de músicas antigas. E isso também é bonito.

Mas nada disso é realmente sobre o Spotify. É sobre perceber como tudo muda quando nos tornamos mães e como, de repente, pequenas coisas revelam o quanto deixamos pedaços de nós pelo caminho.

A maternidade bagunça, reorganiza e reconstrói

A verdade é que todas nós passamos por isso, cada uma do seu jeito: perdemos um pouco do tempo que antes era só nosso, deixamos para trás gostos e preferências que sempre fizeram parte da nossa essência e, atividades que antes nos definiam, agora precisam caber em espaços muito menores ou, às vezes, simplesmente não cabem mais. 

Nossos rituais mudam, nossos ritmos mudam, nossa rotina muda e, de repente, tudo parece tão novo que até aquilo que amávamos antes parece distante.

A maternidade bagunça a vida, mas também reorganiza e reconstrói. 

É um mix complexo: sinto saudade de quem eu era, mas ao mesmo tempo sou profundamente preenchida quando vejo minha filha sorrir. 

E, de alguma forma, músicas que sempre tiveram significado agora carregam outro, mais bonito, mais profundo, como se existisse uma camada secreta que só quem é mãe consegue escutar. 

Não é sobre perder quem éramos antes, mas entender quem estamos nos tornando agora.

Como reencontrar a identidade depois que tudo muda?

Esse é o grande desafio e, ao mesmo tempo, a grande beleza da maternidade: descobrir quem somos nessa nova versão, que é feita de amor, cansaço, doação, alegria, dúvidas, culpa e coragem.

Eu ainda estou me reencontrando. Ainda estou reconstruindo meus hábitos, minhas paixões e meus momentos. 

Ainda estou aprendendo como voltar a ouvir música sem medo de acordar minha filha. E talvez você também esteja passando por isso.

Aqui estão algumas coisas que têm me ajudado:

Retomar pequenos rituais, mesmo que em versões reduzidas

Se antes eu ouvia música por 1 hora, hoje eu ouço uma música enquanto faço o café ou no carro quando vou fazer algo. E isso já muda meu dia!

Não esperar que tudo volte a ser como antes

Talvez nunca volte, mas talvez seja de um jeito ainda melhor, mais maduro, mais consciente.

Criar novos hábitos que façam sentido para essa fase

Às vezes, é uma caminhada rápida. Outras vezes, é escrever um pouco. Ou ler três páginas antes de dormir.

Entender que a identidade não se perde, ela se transforma

E transformação também é crescimento.

Permitir-se sentir saudade da antiga versão de si mesma

Isso não diminui o amor pela maternidade. Assumir as dores torna você humana.

A beleza escondida no caos da maternidade

Eu me peguei pensando: “Se a minha retrospectiva musical fosse sobre sentimentos, estaria cheia.”

Cheia de amor, renúncia, descobertas, exaustão, beleza, dúvidas, risadas, noites em claro, aprendizados. 

A maternidade é isso: uma trilha sonora emocional intensa. Às vezes baixinha, às vezes barulhenta, às vezes desorganizada, mas sempre cheia de significado.

E, aos poucos, estou percebendo que reencontrar a identidade após a maternidade não é voltar a ser quem eu era antes. 

É descobrir quem sou agora, com tudo o que mudou dentro e fora de mim.

E isso é bonito, mesmo quando é difícil.

Quem faz o Blog Maternidade Positiva?

Nenhum texto deste Blog substitui o acompanhamento médico e aconselhamento psicológico.

Aqui, compartilho experiências reais do dia a dia de uma mãe que está vivendo cada etapa de uma vez e passando por toda a montanha russa de emoções desta fase.

Muitas são as experiências, pesquisas e tarefas deste momento e, por que não, compartilhá-las para ajudar outras mulheres?

Espero que o conteúdo aqui compartilhado te ajude e conforte de alguma forma!

Se for utilizar esse texto, cite: @maternidade.positivaa

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